Medo e delírio no marketing de hoje #1 – Humanização de perfil

Para a esmagadora maioria dos empreendedores e empresários brasileiros, anunciar o próprio produto ou serviço é a tarefa mais difícil de toda a cadeia. Pior ainda quando se emenda com a etapa de convencer e vender o seu produto ao seu público. Somando esse sentimento ao medo de que “todos os mercados estão saturados”, você tem o terreno perfeito para que surjam os mais ignóbeis vendedores de cursos e soluções milagrosas que já foram conhecidos pela humanidade.

Os profissionais de marketing e, pior ainda, os influencers, estão cada vez mais bolando estratégias para vender aos profissionais a esperança de escapar desse sentimento de ser mais um em um mercado com players maiores que você. Assim se começa, então, a história da venda de histórias. Partindo da premissa que todos os seres humanos são lindos flocos de neve únicos e interessantes, surgiu um novo delírio de compartilhamento em todas as redes sociais e sites que se tem notícia: A própria vida.

A história parte da premissa de que se o seu público te conhecer a fundo ele irá confiar e, portanto, comprar de você. Isso não é mentira, grandes mercados se movimentam em círculos fechados para algumas classes sociais ou famílias, mas isso não quer dizer que a sua loja de material de construção recém-aberta vai existir da mesma forma em um mercado super seleto. Aparecer e se vender é sim uma atividade necessária no mercado de hoje, mas a curadoria do que você vai mostrar é até mais importante do que a qualidade do que se mostra.

A confusão se intensifica ainda mais nos públicos mais jovens, onde pessoas e influenciadores se colocam como marcas a venda, e isso faz com que muitos empreendedores acreditem que eles vendem porque aparecem, mas a verdade é que eles aparecem para vender, assim como celebridades, eles são o próprio produto. Existe um abismo de diferença entre quem divulga a si mesmo e quem divulga os próprios serviços, mas como muita gente não sabe disso. acabam rapidamente com um restaurante self-service postando uma eterna atualização de stories na academia e feed respondendo perguntas pessoais.

No final das contas se você é empresário, não é sua função expor a si mesmo ou à sua família online em busca de “vender por humanidade”. Sua função é focar em apresentar e entregar um produto que resolve um problema e tem valor para os seus clientes. Se o seu conteúdo pessoal gera valor ou resolveu um problema, é um bom sinal, mas se ele simplesmente “ilustra” sua vida sem acrescentar nada, quem está ganhando com isso?

Seus clientes, parceiros ou acionistas, que detêm o poder de trazer dinheiro para o seu caixa, vai ser convencido por esse tipo de história? Você acha que seu público está mais interessado na sua dieta ou na sua viagem para porto de galinhas no fim do ano, ou eles querem conhecer você e sua marca apenas para descobrir como você ajuda a resolver os problemas que já estão na usa cabeça?

 

 

 

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